(ou De como a briga entre empresas atrapalha a ética jornalística)
Bom, eis que o blog resolveu falar de jornalismo. Vejam só, quem diria.
Na última terça-feira, dia 10, grande parte do país ficou sem energia elétrica. Segundo o governo, o apagão ocorreu devido a “mudanças climáticas”. Nada muito específico até agora, ofensas políticas daqui e de lá. Faltam esclarecimentos à população, e até aí nenhuma grande novidade.
Na quarta-feira de manhã, a imprensa corria loucamente atrás de informações a respeito do ocorrido, e o Governo explicava como e o quê conseguia explicar.
Bom, vamos ao vídeo.
Apesar dos 8 minutos, o vídeo é simples. O programa matutino da Record, Hoje em Dia, abre um link com a repórter Venina Nunes, que pretende entrevistar o secretário de Minas e Energia, Márcio Zimmerman.
No entanto, Zimmerman está ao lado de uma repórter da TV Globo, que prepara seu link para entrar no ar. Sabendo disso, Venina tenta invadir o “set” da Globo, em busca de uma entrevista com o secretário, e é repelida pela equipe de produção da outra emissora.
Não satisfeita, e incentivada por apresentador (e jornalista) Celso Zucatelli, Venina Nunes insiste, empurra assessores de imprensa e produtoras, dizendo frases como “Secretário, o senhor está aí parado, esperando, fala com a gente.”
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Até entendo que Venina Nunes possa se indignar enquanto a Rede Globo “segura” o entrevistado, mas interferir nessa lógica é desconhecer o funcionamento mais elementar de uma rede de televisão.
Em primeiro lugar, que idéia é essa da Record? Abrir um link com um entrevistado indisponível? Chamar uma repórter ao vivo, quando ela não tem o que falar? Com a intenção de chorar e dizer “como a Globo é malévola”?
Além disso, entrevista com o Secretário não é um plantão. Não é algo que entra imediatamente no ar, sem qualquer preocupação com a grade. Sobretudo na Globo, cuja programação é rigidamente estruturada e não se permite “ajeitadinhas” aqui e ali.
Um repórter marca uma entrevista, e o entrevistado e sua assessoria devem saber que é preciso tempo para ajustar o equipamento, verificar luz, testar som, estabelecer conexão, e tudo mais. Não é “oi, gravei, tchau”.
Se há uma demora excessiva, que prejudica outros veículos, é razoável perguntar, reclamar, pedir agilidade. MAS NO AR?
A entrada do link foi pra causar polêmica, e a manutenção do link por 8 minutos, mesmo após a primeira negativa, reforça isso. Não se trata de defender a Globo, ser contra ou a favor do sistema. Mas a música criada pelos colegas brasilienses de Venina, que o jornalista Eduardo Rodrigues (a.k.a. meu irmão) reproduziu por twitter é bem elucidativa.
“8 horas no meu toldo,
ela vai surgir.
Ouço passos na esplanada,
vejo a pauta cair.
Venina veneno,
esse link é pequeno demais pra nós dois.
Em toda câmera que eu olho só da você”.
Muito feia a atitude da reporter Venina Nunes.
Não foi isso que ela aprendeu na Faculdade.
Mas isso foi ordens que ela recebeu do apresentador, e ele recebeu de seus diretores atravez do ponto que usa em seu ouvido.
O amigo blogueiro foi impecável no post.
Venina foi colocada numa saia justa e errou…
Mas mais feio ainda foi ouvir ironias, ler ataques pessoais à repórter…
Como se todos os demais jornalistas fossem santificados e inabaláveis. Recebi por tabela palavras rancorosas de vários coleguinhas em coletivas durante a semana… até agora não entendi a necessidade das manifestações carregadas de raiva ou sei la o quê?!
Será que é falta de amor???
Parabens a Venina Nunes, fez certinho como deveria.
A globo e seus funcionarios tenque ser zuados na cara de pau.